Quem é o anestesiologista?

É o médico que cursou os seis anos de medicina e dois ou mais anos para se especializar em Anestesiologia.

Quais os tipos de anestesia?

Geral

Onde o paciente permanece dormindo, e sem sentir dor.

Regional

A anestesia é realizada apenas numa região do corpo, por exemplo, raqui e peridural e o paciente pode ficar dormindo ou acordado.

Também existem outras técnicas que serão explicadas na visita pré-anestésica.

Quanto tempo dura a anestesia?

Dura o tempo necessário para a realização do procedimento, sendo que o tempo todo o anestesiologista estará ao lado do paciente, cuidando e corrigindo o que for necessário, oferecendo segurança ao procedimento.

Quanto tempo o anestesista ficará comigo?

Durante todo o tempo da cirurgia e acompanhará à sala de Recuperação da Anestesia até que ocorra condição de alta para o quarto.

Quais são os riscos da anestesia?

Atualmente são raros os acidentes e as complicações relacionadas com a anestesia. Contamos com medicamentos seguros e anestesiologistas experientes, o que confere alto grau de segurança durante os procedimentos. Alguns fatos que não podemos prever podem acontecer, e o anestesiologista é o médico especialista que irá empregar todo seu conhecimento e toda sua perícia para a correção do problema.

Será que eu vou ter alergia?

Reações alérgicas podem ocorrer com qualquer tipo de medicamento e não existem testes para detectar estas alergias. O anestesiologista que está atendendo o paciente tem experiência para diagnosticar o problema e tratá-lo.

Existem problemas hereditários relacionados com a anestesia?

Sim, um deles é a hipertermia maligna que é desencadeada por medicamentos usados na anestesia. Se algum parente apresentou problemas com anestesia comunique seu anestesiologista para que ele possa tomar as condutas adequadas.

Vou ser intubado?

Na grande maioria dos procedimentos que requer anestesia geral, o paciente tem que ser intubado, o que consiste na colocação de um tubo de tamanho apropriado, introduzido pela boca até a traquéia. Tudo isso é realizado com o paciente dormindo. Caso ocorra dificuldades em ser realizada a intubação, o anestesiologista conta com um protocolo para tratar do problema, assim como aparelhos específicos. Próteses, dentaduras e dentes amolecidos podem ser afetados durante a laringoscopia para a intubação traqueal. Informe o anestesiologista sobre as condições de seus dentes.

Porque tenho que estar em jejum?

Quando são administrados os medicamentos para a anestesia, ocorre um relaxamento de toda musculatura que pode resultar em vômito e conseqüente aspiração pelas vias respiratórias, causando pneumonia grave. Portanto o jejum é obrigatório para todas as cirurgias eletivas, inclusive com anestesia local. O jejum deverá ser de 8 horas para sólidos e leite e de 4 horas para líquidos, inclusive água.

Problemas em anestesias anteriores?

Caso você tenha experimentado problemas em anestesias, não deixe de comentá-los com o anestesiologista, que terá mais elementos para tornar sua próxima anestesia mais confortável e segura.

1) É necessário que uma pessoa adulta responsável o acompanhe até a sua residência. Nos casos de crianças, uma segunda pessoa adulta será necessária para cuidar do paciente durante o trajeto.

2) Se o paciente for adulto, não permitir a condução de veículos nem assinar documentos importantes nas primeiras 24 horas após a anestesia.

3) Afastar situações de risco potencial tais como manuseio de fogão, água quente, ventiladores, motores, objetos cortantes e andar de bicicleta nas primeiras 24 horas.

4) Ficar em casa com uma pessoa adulta responsável. Não será permitido a sua saída de casa sem a assistência ou acompanhamento de um adulto responsável nas primeiras 24 horas.

5) Evite deixar portas de banheiro e de quartos fechadas nas primeiras 24 horas. Manter a abstinência de bebidas alcoólicas até a liberação pelo médico responsável.

6) Observar rigorosamente os horários de medicações e as orientações quanto ao procedimento realizado. Não ingerir nenhum medicamento que não aqueles prescritos por seu médico.

7) Observar repouso nas primeiras 24 horas, salvo em situações em que algum método fisioterápico leve esteja indicado.

8) Somente ingerir alimentos de fácil digestão e líquidos, a não ser por determinação médica.

9) Em caso de qualquer problema, contate imediatamente a equipe médica que o assistiu. Esteja preparado para voltar ao hospital caso ocorram complicações.

10) Observe rigorosamente estas orientações. Elas representam a sua segurança.

RESOLUÇÃO CFM N° 1.802/2006

(Publicado no D.O.U. de 01 novembro 2006, Seção I, pg. 102)

Dispõe sobre a prática do ato anestésico.

Revoga a Resolução CFM n. 1363/1993.

O Conselho Federal de Medicina, no uso das atribuições conferidas pela Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957, regulamentada pelo Decreto nº 44.045, de 19 de julho de 1958, e pela Lei nº 11.000, de 15 de dezembro de 2004, e CONSIDERANDO que é dever do médico guardar absoluto respeito pela vida humana, não podendo, em nenhuma circunstância, praticar atos que a afetem ou concorram para prejudicá-la;

CONSIDERANDO que o alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional;

CONSIDERANDO que o médico deve aprimorar e atualizar continuamente seus conhecimentos e usar o melhor do

progresso científico em benefício do paciente;

CONSIDERANDO que não é permitido ao médico deixar de ministrar tratamento ou assistência ao paciente, salvo nas condições previstas pelo Código de Ética Médica;

CONSIDERANDO que a Portaria nº 400, de 6 de dezembro de 1977, do Ministério da Saúde, prevê sala de recuperação pós-anestésica para a unidade do centro cirúrgico;

CONSIDERANDO o proposto pela Câmara Técnica Conjunta do Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Anestesiologia, nomeada pela Portaria CFM nº 62/05;

CONSIDERANDO a necessidade de atualização e modernização da prática do ato anestésico;

CONSIDERANDO , finalmente, o decidido em sessão plenária de 04 de outubro de 2006;

RESOLVE:

Art. 1º Determinar aos médicos anestesiologistas que:

I ? Antes da realização de qualquer anestesia, exceto nas situações de urgência, é indispensável conhecer, com a devida antecedência, as condições clínicas do paciente, cabendo ao médico anestesiologista decidir da conveniência ou não da prática do ato anestésico, de modo soberano e intransferível.

a) Para os procedimentos eletivos, recomenda-se que a avaliação pré-anestésica seja realizada em consulta médica

antes da admissão na unidade hospitalar;

b) na avaliação pré-anestésica, baseado na condição clínica do paciente e procedimento proposto, o médico anestesiologista solicitará ou não exames complementares e/ou avaliação por outros especialistas;

c) o médico anestesiologista que realizar a avaliação pré-anestésica poderá não ser o mesmo que administrará a

anestesia.

II ? Para conduzir as anestesias gerais ou regionais com segurança, deve o médico anestesiologista manter vigilância permanente a seu paciente.

III ? A documentação mínima dos procedimentos anestésicos deverá incluir obrigatoriamente informações relativas à

avaliação e prescrição pré-anestésicas, evolução clínica e tratamento intra e pós-anestésico (ANEXO I).

IV ? É ato atentatório à ética médica a realização simultânea de anestesias em pacientes distintos, pelo mesmo profissional.

V - Para a prática da anestesia, deve o médico anestesiologista avaliar previamente as condições de segurança do ambiente, somente praticando o ato anestésico quando asseguradas as condições mínimas para a sua realização.

Art. 2º É responsabilidade do diretor técnico da instituição assegurar as condições mínimas para a realização da anestesia com segurança.

Art. 3º Entende-se por condições mínimas de segurança para a prática da anestesia a disponibilidade de:

I ? Monitoração da circulação, incluindo a determinação da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, e determinação contínua do ritmo cardíaco, incluindo cardioscopia;

II - Monitoração contínua da oxigenação do sangue arterial, incluindo a oximetria de pulso;

III - Monitoração contínua da ventilação, incluindo os teores de gás carbônico exalados nas seguintes situações: anestesia sob via aérea artificial (como intubação traqueal, brônquica ou máscara laríngea) e/ou ventilação artificial e/ou exposição a agentes capazes de desencadear hipertermia maligna.

IV ? Equipamentos (ANEXO II), instrumental e materiais (ANEXO III) e fármacos (ANEXO IV) que permitam a realização de qualquer ato anestésico com segurança, bem como a realização de procedimentos de recuperação cardiorrespiratória.

Art. 4º Após a anestesia, o paciente deve ser removido para a sala de recuperação pós-anestésica (SRPA) ou para o/a centro (unidade) de terapia intensiva (CTI), conforme o caso.

§ 1º Enquanto aguarda a remoção, o paciente deverá permanecer no local onde foi realizado o procedimento

anestésico, sob a atenção do médico anestesiologista;

§ 2º O médico anestesiologista que realizou o procedimento anestésico deverá acompanhar o transporte do paciente para a SRPA e/ou CTI;

§ 3º A alta da SRPA é de responsabilidade exclusiva do médico anestesiologista;

§ 4º Na SRPA, desde a admissão até o momento da alta, os pacientes permanecerão monitorados quanto:

a) à circulação, incluindo aferição da pressão arterial e dos batimentos cardíacos e determinação contínua do ritmo

cardíaco, por meio da cardioscopia;

b) à respiração, incluindo determinação contínua da oxigenação do sangue arterial e oximetria de pulso;

c) ao estado de consciência;

d) à intensidade da dor.

Art. 5º Os anexos e as listas de equipamentos, instrumental, materiais e fármacos que obrigatoriamente devem estar

disponíveis no ambiente onde se realiza qualquer anestesia, e que integram esta resolução, serão periodicamente revisados.

Parágrafo único - Itens adicionais estão indicados em situaçõesespecíficas.

Art. 6° Revogam-se todas as disposições em contrário, em especial a Resolução CFM nº 1.363, publicada em 22 de março de 1993.

Art. 7° Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília/DF, 04 de outubro de 2006.

EDSON DE OLIVEIRA ANDRADELÍVIA BARROS GARÇÃO

PresidenteSecretária-Geral

ANEXOS

ANEXO I

As seguintes fichas fazem parte obrigatória da documentação da anestesia

1. Ficha de avaliação pré-anestésica, incluindo:

a. Identificação do anestesiologista

b. Identificação do paciente

c. Dados antropométricos

d. Antecedentes pessoais e familiares

e. Exame físico, incluindo avaliação das vias aéreas

f. Diagnóstico cirúrgico e doenças associadas

g. Tratamento (incluindo fármacos de uso atual ou recente)

h. Jejum pré-operatório

i. Resultados dos exames complementares eventualmente solicitados e opinião de outros especialistas, se for o caso

j. Estado físico

k. Prescrição pré-anestésica

l. Consentimento informado específico para a anestesia

2. Ficha de anestesia, incluindo:

a. Identificação do(s) anestesiologista(s) responsável(is) e, se for o caso, registro do momento de transferência de

responsabilidade durante o procedimento

b. Identificação do paciente

c. Início e término do procedimento

d. Técnica de anestesia empregada

e. Recursos de monitoração adotados

f. Registro da oxigenação, gás carbônico expirado final (nas situações onde foi utilizado), pressão arterial e freqüência cardíaca a intervalos não superiores a dez minutos

g. Soluções e fármacos administrados (momento de administração, via e dose)

h. Intercorrências e eventos adversos associados ou não à anestesia

3. Ficha de recuperação pós-anestésica, incluindo:

a. Identificação do(s) anestesiologista(s) responsável(is) e, se for o caso, registro do momento de transferência de

responsabilidade durante o internamento na sala de recuperação pós-anestésica

b. Identificação do paciente

c. Momentos da admissão e da alta

d. Recursos de monitoração adotados

e. Registro da consciência, pressão arterial, freqüência cardíaca, oxigenação, atividade motora e intensidade da dor a intervalos não superiores a quinze minutos.

f. Soluções e fármacos administrados (momento de administração, via e dose)

g. Intercorrências e eventos adversos associados ou não à anestesia.

ANEXO II

Equipamentos básicos para a administração da anestesia e suporte cardiorrespiratório:

1. Em cada sala onde se administra anestesia: secção de fluxo contínuo de gases, sistema respiratório e ventilatório completo e sistema de aspiração.

2. Na unidade onde se administra anestesia: desfibrilador, marca-passo transcutâneo (incluindo gerador e cabo).

3. Recomenda-se a monitoração da temperatura e sistemas para aquecimento de pacientes em anestesia pediátrica e geriátrica, bem como em procedimentos com duração superior a duas horas, nas demais situações.

4. Recomenda-se a adoção de sistemas automáticos de infusão para administração contínua de fármacos vasoativos e anestesia intravenosa contínua.

ANEXO III

Instrumental e materiais

1. Máscaras faciais

2. Cânulas oronasofaríngeas

3. Máscaras laríngeas

4. Tubos traqueais e conectores

5. Seringas, agulhas e cateteres venosos descartáveis

6. Laringoscópio (cabos e lâminas)

7. Guia para tubo traqueal e pinça condutora

8. Dispositivo para cricotireostomia

9. Seringas, agulhas e cateteres descartáveis específicos para os diversos bloqueios anestésicos neuroaxiais e periféricos

ANEXO IV

Fármacos

1. Agentes usados em anestesia, incluindo anestésicos locais, hipnoindutores, bloqueadores neuromusculares e seus antagonistas, anestésicos inalatórios e dantroleno sódico, opióides e seus antagonistas, antieméticos, analgésicos não-opióides, corticosteróides, inibidores H2, efedrina/etil-efrina, broncodilatadores, gluconato/cloreto de cálcio.

2. Agentes destinados à ressuscitação cardiopulmonar, incluindo adrenalina, atropina, amiodarona, sulfato de magnésio, dopamina, dobutamina, noradrenalina, bicarbonato de sódio, soluções para hidratação e expansores plasmáticos.